segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Transeunte

Na juventude de João, todos achavam que ele era tímido.  Sempre que ouvia isso, João ria por dentro. Realmente ele nunca foi muito comunicativo. Mas o motivo não era a timidez, mas sim por preferir seu mundo ideal. João conhecia pessoas que esbarrava pela rua, nas quadras poliesportivas e muitos outros locais. Porem ao conhecer uma pessoa o bem, perdia o interesse e se afastava. Mas continuava conversando e interagindo com aquela pessoa em sua imaginação.
Uma pessoa em especial lhe marcou. Não pela pessoa que conheceu, apesar de ser uma pessoa muito agradável. O motivo é que essa pessoa lhe apresentou um novo mundo. Nesse mundo, ele não encontrou as respostas que tanto procurava para sua vida, não achou um meio de aliviar sua culpa ou sua dor, porem foi onde finalmente encontrou uma paz que até então desconhecia. Por mais relutante que fosse em relação a temas religiosos. Mesmo sendo agnóstico, encontrou sua paz na igreja Xyz.
Ouvia os cantos de louvor e a pregação do pastor que lhe fazia bem. Já tinha frequentado outras igrejas da mesma religião, ou cultos de outras religiões, mas nunca soube o que procurava. Até ouvia falar que na igreja haveria as respostas para sua vida mas nunca acreditou nisso. Porém finalmente encontrou a paz que precisava para ele próprio achar as respostas de que precisava. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Perdido

João não se encontrava, sentia um vazio dentro de si e não entendia o que motivava isso. Mas provavelmente causado pelo seu afastamento do mundo real. No meio de tanta gente, se sentindo só. Isso foi mexendo tanto com ele pois para ele não fazia sentido. Ele foi a infância inteira em psicólogo mas não conseguia entender porque sua vida continuava vazia.
Por querer enxergar a própria vida por uma novo ângulo, de outra forma. Começou a beber e cheirar cocaína, Até que sentiu um euforia maior do que o normal mas talvez fosse consciente ou covarde demais para entrar de cara nesse mundo.
Ele já estava perdido em seu mundo. Mas por mais perdido que estivesse, essa era sua zona de conforto. Talvez por isso ele não quisesse mudar seu estilo de vida. Todo mundo teme o desconhecido.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Terapia

Não é fácil pensar na morte ou suicídio. Avaliar os prós e os contras da vida. João teve muita sorte de ter as pessoas certas a sua volta. Se não fosse por essas pessoas  provavelmente não  teria tido forças para se manter em pé até hoje e já teria desistido da vida ou pelo menos tentativa de suicídio.Pois é infelizmente,  João tem depressão.
Algumas pessoas podem pensar que ele faz isso para chamar a atenção. A atenção de quem, se ele cresceu numa bolha, onde só existia ele mesmo e seus pensamentos. Ele não era tão comunicativo ainda mais quando se tratava de assuntos do seu intimo.
Não é muito bom viver quase todos os seus dias pensando em como se matar. Isso não é legal mas infelizmente ele cresceu assim. A única coisa que fazia ele  esquecer um pouco tudo isso, era praticar esportes, que já não praticava a muitos anos e agora cuidar da sua filha.
Mas agora além de cuidar da sua filha, ele escreve. Escreve tudo que lembrar e coloca no papel. As vezes tenta criar historias novas com novos personagens, mas inspirados em fatos do seu passado. É uma espécie de terapia  na qual ele liberta suas ideias cruas, as relê e as amadurece.  Percebendo o quanto foi bom viver e como é bom continuar vivo. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Discussão sem pé

Por que vou há igreja Xyz se não sou crente? Não acredito na ressurreição de Cristo mas acredito em Deus. Encontro uma paz que nunca encontrei em outro lugar. Lá ouço vários ensinamentos bíblicos que eu talvez nem acredite e também ouço vários cantos de louvor.
Como por exemplo foi lido o livro de Marcos capitulo 6, versículo 45 que disserta sobre o episódio no qual Jesus pediu a seus discípulos que entrasse no barco e que fossem para o outro lado do lago. Enquanto isso foi orar no monte. Pouco depois viu seus discípulos cansados, remando contra o vento e daí então Jesus andou sobre as aguas até o barco.
Esse trecho foi usado para dizer aos fiéis que não importa o problema. Deus vai estar sempre ao seu lado para lhe dar a paz e a tranquilidade necessárias para que você resolva seus problemas. Mas Deus não vai resolver os seus problemas, assim como Deus não remou pelos seus discípulos.  Mas intencionalmente ele parou no versículo 50 pois no versículo 51, Deus subiu no Barco e o vento cessou. Não me importa se isso é real, inventado ou recortado. Isso me ajuda.
Sei que não dá para provar sua existência, nem sua inexistência. Sim acredito em algo que não tem fundamento. Que acreditem no Pônei azul que seja. Se isso lhe faz bem, melhor para você. Cada um com a sua fé. 
Qual o motivo de tentar racionalizar a fé de outra pessoa? Se juntarmos duas pessoas da mesma religião para definir o que simboliza Deus. Não acabaria nunca a discussão, agora imagine juntando pessoas de tribos diferentes. Quando não há explicação, não discuta apenas tenha fé.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Conveniente

Todo mundo se perde na falsidade dentro de grupos sociais. Em cada grupo um perfil diferente, trabalho, esposa, filhos ou amigos.
Mas aprendemos isso desde cedo. Afinal quando criança, desde os três anos de idade, aprendemos que não iremos conseguir o que queremos a menos que a nossa forma de ágir seja adequada a quem cuidava de nos seja papai, mamãe,  vovó ou titio. Nessa idade a criança já tem a noção exata de como agir.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vale a pena ver de novo

Quando Joãozinho via um filme de que gostava. Estranhamente ele gostava de assistir e assistir novamente várias vezes o mesmo filme. E isso se tornou um motivo de chacota para quem sabia dessa pequena mania.
Mas assistir um filme repetidamente até que fazia sentido pois ele pois queria que sua vida assim como os filmes, pudesse voltar ao início ou pelo menos uma fase da sua vida.
Mas a vida dele parecia mais um CD arranhado que não saía de uma mesma nota. Pois assim como a música, Sua vida tocava sempre a mesma nota.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Doidera



Saiu do trabalho mais cedo. Como de costume ao entrar no  carro parecia ser possuído e começava a falar sozinho.  Sem passageiro e nem telefone, apenas João e o barulho do Motor. Costumava falar mais sozinho do que com pessoas reais. Arthur havia sumido, porem ainda preferia o mundo ideal ao real.
Voltando para a casa, conversava, discutia, brigava com seus “fantasmas”, batia no volante, xingava e sua pulsação até aumentava. Naquele dia, estava sentindo que seu rendimento no trabalho estava abaixo do que podia render. Achava que todos os seus colegas, o julgavam,  o menosprezavam. Porem, Dentro daquele carro é que conseguia resolver seus conflitos para que no dia seguinte pudesse voltar ao trabalho novamente.
Ao entrar em um engarrafamento, foi interrompido de seus delírios com um estranho rapaz com cabelo rastafári, motorista do carro ao lado. Olhando para ele, como quem não soubesse o que fazer. O motorista falou alguma coisa que João não entendeu. Porem poderia apostar que ele falou algo do tipo. “Cara, essa é da boa. Onde você comprou?”. Só havia um problema. João não bebia e nem se drogava. Ele apenas  preferia viver num mundo ideal.