quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Quando foi que o problema Começou?

Não sei onde tudo começou. Minha psiquiatra me diz que as causas da depressão é multifatorial.Tem a parte bioquímica relacionada a produção de cerotinona e outros hormônios. Mas prefiro não entrar em detalhe pois não me lembro com precisão tudo que foi dito e para estabilizar nosso organismo é necessário o uso de remédios. E também pode ser algum trauma. Que trauma é esse que me afetou tanto?

Obviamente não faz sentido citar a adoção. Afinal um adulto que perde o namorado ou a namorada muitas vezes entra em depressão fazendo mal a si próprio ou a terceiros. Mas não dá para entender como  uma criança de três anos surta, só porque perdeu as pessoas que conheceu como referencia da sua vida, sua família biológica. Ou Quem sabe seja memoria reprimida, minha mãe biológica me espancou demais ou quem sabe nessas casas que minha mãe me deixava com uma cuidadora, eu fui assediado por algum pedófilo e isso ficou registrado na minha mente, mesmo que eu não pudesse acessar essa lembrança. Também teve uma noite que meu irmão ficou doente e minha mãe biológica teve que leva-lo as pressas ao hospital, me deixando em casa com 3 anos de idade. Pelo que me contaram  chorei do momento que ela saiu de casa até ela voltar. E todo mundo sabe como funciona um hospital público. Deve ter demorado muito. Pode ter sido também por eu nunca ter encontrado meu lugar na minha nova família. Apesar de ser o filho do meio de 5 filhos tenho que  confessar que sempre me senti o caçula, pois é sempre me senti meio tapado. Ou será que é por um professor de artes que cometeu suicídio quando eu estava na 4ª ou 5ª serie.  Não sei se essa história, do suicídio,  é real mas eu sei que eu tenho isso na minha mente como se fosse verdade. 

 Dentre tantas histórias que me fizeram entrar nesse buraco sem fundo. Realmente, Seria melhor se eu consultasse um psicologo para tentar resolver esse problemas que por enquanto não fazem muito sentido na equação que minha vida se tornou .

terça-feira, 4 de outubro de 2016

CVV, Centro de Valorização a Vida sob minha Perspectiva


O Centro de Valorização a vida, CVV,  é uma entidade não governamental que presta assistência a pessoas com tendencias suicidas e pessoas que ainda não estão com o planejamento formado para cometer o ato porem não tem ninguém para conversar. No CVV, quem faz o atendimento não são psicólogos ou psiquiatras, são apenas voluntários.  Que necessitam receber um treinamento. Pois, no meu entender,  se falarem algo fora do contexto do treinamento pode ocorrer que sirva de gatilho para que a pessoa que procurou  ajuda,  cause danos a se próprio.


Depressão é uma doença extremamente solitária, pois ninguém vai enxergar os fatos da forma como você enxerga e isso causa uma reação de desprezo, por parte do ouvinte . Quem não esta deprimido sempre vai achar que a pessoa esta exagerando ou dando atenção demais aos seus problemas e que deveria seguir em frente , ignorando tudo que o deixava deprimido. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo. 

Depressão parece um buraco sem fundo, onde você se agarra  no que tiver disponível para não cair mais fundo. As  vezes você ganha força e consegue subir um pouco, mas logo perde a força e cai mais fundo do que estava antes. Ao meu ver, o CVV não nos ensina a subir esse buraco,  mas sim a enxergar de forma mais clara onde podemos ou não no segurar para sobreviver àqueles pensamentos. Muita gente critica falando que o cvv não resolve nada. Mas não vejo o cvv tendo essa responsabilidade, isso é para psicólogos e  psiquiatras. Eles apenas rebatem tudo que a pessoa fala, sem confrontar ou analisar, para que a própria pessoa que ligou possa analisar suas ações, é um exercício de  auto-reflexão.





      

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Esquece isso que você vai se sentir melhor


Me perdoe quem achava que eu estava blefando, que era só frescura ou que acreditava que isso tudo era fruto apenas dos meus insucessos na vida. Minha médica me ajudou muito.  Ela é uma das poucas pessoas que souberam me ouvir. Penso em me matar desde criança. Consultei psicólogos desde oito ou  nove anos de idade por vinte anos da minha vida.  Nenhum psicólogo me falou o que eu tinha, me sentia um idiota e nem por isso os pensamentos suicidas diminuíram.

A fase em que me senti melhor foi o segundo semestre de 2015 . Sentia me Feliz e em poder de todas as minhas capacidades. Mas  eu já comecei o tratamento psiquiátrico tendo desistido da vida. Achava que era só questão de tempo. Vejo pessoas criticando a medicação psiquiátrica mas me desculpe não gostei de ter um diagnostico que me permitia ser um idiota( deficit de atenção ) e de ficar pensando em me matar todo o dia.  Sim eu precisava de medicação. Se tivesse feito o tratamento adequado junto com a terapia e atividades físicas regulares. Talvez eu tivesse aprendido a viver com isso. Fiz os três  porém separados.

Sinto raiva quando vejo alguém dizer que a tentativa de suicídio ou a ideação suicida é apenas uma forma de chamar a atenção, como se fosse uma criança mimada. Pois bem,  com oito ou nove anos de idade eu falei pela primeira vez em cometer suicídio com uma faca no peito. Ao lado do prédio onde eu morava havia um rio, sempre pensava em pular nesse rio e deixar a correnteza me levar para a morte, sempre desejei me cortar mas eu era covarde demais para isso. Quando morava com meu pai pensei em  ingerir produtos tóxicos. No inicio de 2015 pensei em cometer suicídio por enforcamento e pensei em tomar toda minha medicação de uma vez no trabalho, no carro estacionado no parque da cidade ou no meu quarto dentre outros pensamentos suicidadas. Não é a melhor das experiencias ficar pensando em como se matar durante toda sua vida. Vi um vídeo no youtube onde a pessoa cita que tinha que atuar para parecer bem para as outras pessoas.   Mas o pior é as outras pessoas pensarem que você esta atuando para simular a depressão.  

Mas vamos esquecer tudo que foi dito. Afinal vamos pela crença popular. Várias são as frases de efeito que são ditas para nos ajudar: "Há pessoas piores que você",   "Isso esta na sua cabeça", "Vá trabalhar que você esquece rapidinho", "Vai lavar louça" ou "Esqueci isso que você vai se sentir melhor".  Só falta falar: Depressão de cu é rola.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Depressão


Muita coisa pela frente e de repente, lá estou eu , perdido na vida pensando em como cometer suicídio. Pessoas de fora até podem pensar que é só frescura. Olham para mim como se estivesse diante de uma criança birrenta. Parece que única forma de comprovar a depressão seria com um atestado de óbito.
Não me encontro aqui. A vida é toda em preto e branco. Tratamentos, diálogos, acompanhamentos ou medicação ajudam mas apenas retardam a ação, uma hora acontece. Se  já tiver o desejo e o planejamento, nada e nem ninguém mudará isso. Magoas, alegrias, conquistas, derrotas, tentativas de agradar quem ama, mas internamente o conflito é grande. Não é falta de amor, carinho, atenção, sucesso profissional, dinheiro, bens materiais, tudo isso importa mas para o ponto final da depressão é irrelevante.

Posso até estar de corpo presente mas já estou morto a muito tempo por dentro. Tenho inveja da coragem desses covardes anônimos que se suicidam. Depois de tanto pensar no assunto, no início de 2015 cheguei perto. Fui comprar três metros de corda numa loja de material de construção. Fiquei a noite toda dialogando com a morte e no dia seguinte faltei trabalho. Até que chegou o momento, peguei a corda e fiz o nó da forca como eu já havia apreendido em vídeos na internet. E pendurei a corda em cima  da porta do quarto e fiquei apenas olhando aquela forca pendurada. E me causa aflição, hoje em dia, por notar que aquele cenário não me causou dor, angustia ou qualquer tipo de sentimento, nem positivo , nem negativo. Tomei "coragem" e coloquei a corda no pescoço e tentei me suspender mas a coragem não vinha. Depois de muito pensar, me suspendi por alguns segundos, comecei a sentir uma dormência nos braços. Mas pelo que acredito ser instinto de sobrevivência, consegui alcançar o chão com a ponta dos pés  e tirei a corda de cima da porta.

Sou covarde por não conseguir  ou  por querer cometer suicídio? Várias pessoas falam para mim, com base em argumentos cristãos, que seria pecado cometer suicídio. Me perguntam quem eu acho que sou para tomar essa decisão. Não entendo como eu não posso ter controle sobre minha própria existência. Assassinos e estupradores são perdoados, caso depois de sua pena confessarem seu arrependimento diante de Deus. Mas um suicida que não suporta mais a própria vida, nunca receberá o perdão divino? Talvez tenham razão, afinal como cometer tal ingratidão diante de Deus que me deu a vida? Cada um tem sua história e Deus sabe o que faz. Minha filha tem a mãe com câncer e o pai suicida. Mas deus fez isso pelo bem dela. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Caim e Abel



Caim se torna lavrador de terra e seu irmão, Abel, se torna pastor de ovelhas. Mesmo Deus não tendo pedido a nenhum dos dois que lhe ofertasse seus bens. Caim ofertou frutos e Abel ofertou dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura. Mas Deus atentou a oferta de Abel e não a oferta de Caim.
Porque Deus deu atenção a oferta de Abel e não a de Caim? Deus não fez uma escolha aleatoriamente. Pois Deus disse: Por ventura se procederes bem, não se há de levantar o seu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta. Onde Caim errou? Onde Abel acertou? No que foi oferecido? Creio que não. No valor do que foi oferecido? Também não. Mas qual foi o intuito da oferta? Caim fez pois, achou que deveria fazer ou talvez por temer as consequências. Assim como um filho que contribui em casa, um pai separado paga pensão aos seus filhos ou uma mãe dá de comer aos seus filhos.  Mas Abel fez por amor a Deus. Assim como um filho se preocupa com o bem-estar dos pais, um pai participa ativamente da educação dos seus filhos, ou uma mãe se preocupa com o desenvolvimento do seu filho.
Deus disse:  Por ventura se procederes bem, não se há de levantar o seu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas ele tu deves dominar. Mas Caim não dominou e sim,foi dominado pelo pecado. E uma das consequências disso foi a inveja de Abel. E por Causa da inveja Caim matou Abel.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Aborto

Uma matéria de um Portal da Internet, chama a atenção: 'Sou plena feliz e existo porque minha mae nao optou pelo aborto' diz jornalista com microcefalia . Mas pelos comentários, sinto que várias pessoas não entenderam porque a matéria foi publicada, pelo menos não como eu entendi.
Vários comentários dizendo que a microcefalia dessa garota não era causada pelo Zika virus e que por isso os sintomas eram muito mais brandos. Logo não era um bom exemplo.
O que trata a matéria, seja a opinião do jornalista, da empresa ou uma solicitação do governo, é apenas a discussão do aborto motivado pelo julgamento de que a criança não esta em estado perfeito. Mas creio que o assunto vá bem além. O de uma mulher, que também deveria ser incluído a decisão do pai, deveria sim ter a opção de abortar, caso soubesse que não iria dar o devido cuidado a criança.
Que bom que ela foi abençoada por uma família que teve condições de dar educação e  suporte para que ela se desenvolvesse e pudesse se tornar independente na vida adulta. Mas não é toda a família que tem condições financeiras e emocionais.  Temos vários exemplos pelo Brasil de crianças que depois de nascer foram totalmente largadas na vida.
Postei um comentário: 'Sou infeliz e frustrado, não era nem desejado pela minha própria mãe e quase todo dia penso em como me matar. Fui dado para adoção quando criança e existo porque minha mãe não optou pelo aborto.'. Claro que é exagero, afinal  pobre não tem como optar pelo aborto, legalmente. Sou pai de uma menina que felizmente, depois de meus 20 e muitos anos, me deu a alegria de estar vivo. Conhecendo os dois lados da moeda, o de amar uma criança incondicionalmente e o de não ser desejado pelos meus pais. Sinceramente acho que quem não acha que esteja apto a educar uma criança, seria melhor fazer um aborto. Antes que se torne uma vida de fato.
Se quer falar que a rejeição de um bebê, por exemplo com microcefalia, é errado de acordo com as palavras de Deus. Ok siga sua fé.  Mas rejeitar um filho adolescente por não ter se encaminhado na vida de acordo com seus padrões, é correto?


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Botijao II

    Diante de tantas dificuldades, Zilda sempre ouvia o governo prometer melhor assistência às famílias humildes. Mas para ela, era apenas um recurso para troca de interesse. Pois nunca viu nenhuma ajuda do governo para pessoas que trabalhavam duro. Sabia de raras ocasiões onde a pessoa auxiliada participou de boca de urna nas eleições ou qualquer tipo de relação direta ou indiretamente com um governante. Mas Um dia, ela tentou colocar seus filhos numa creche pública e sua suspeita só aumentou. Era tanta burocracia, tanto lugar para ir, para esperar que um dia, alguém ligue oferecendo uma vaga. Onde pais com determinado perfil tinham preferência em relação a outros sendo que os maiores interessados seriam as crianças.  Aquilo, para ela,  pareceu ser daquele jeito, muito mais para dificultar o acesso ao serviço para quem realmente precisa. Não tinha ajuda do governo, da família, nem de vizinhos. Só ela e seus dois filhos. A tensão do dia-a-dia já havia tomado conta da sua vida. 
    Um Sábado de manhã cedo, Zilda já estava de pé para deixar tudo arrumando para seus dois filhos. Pois precisava trabalhar e deixaria as crianças sozinhas em casa pois não havia ninguém para cuidar, Gustavo de três anos e João de Quatro. Arrumava a casa e fazia o café e o almoço com o pouco que tinha.  Acordou seus filhos, arrumou-os e foi trabalhar.
    Duas Crianças sozinhas em casa, com 3 e 4 anos. Não se sabia quem estava responsável por quem. João se sentia responsável por ser o mais velho. Mas a verdade era uma só, se tratava apenas de uma criança que ainda não sabia cuidar nem de si próprio. Eram duas crianças, uma cuidando da outra, apenas isso.  Frio, fome ou medo tudo que se passava com aqueles meninos, tinham apenas um ao outro como refúgio.
    A tarde já estava chegando. Mas já haviam comido o pouco que sua mãe tinha deixado pronto. E a fome já apertava. Abriram a geladeira e viram que havia apenas uma caixa com 12 ovos e uma caixa com um pouco de leite. Dividiram o pouco que havia na caixa de leite, torcendo para que a fome passasse. Mas já haviam comido muito pouco durante o dia. E resolveram cozinhar um ovo. Duas crianças sozinhas mexendo com o fogão poderia não acabar bem. Não se sabe, se foi uma intervenção divina. Mas quando João pegou a caixa de ovos na geladeira, ela escorregou de sua mão.
    Ao ver a caixa caída no chão. Sabiam que a mãe deles não iria aceitar tal situação e se lembraram de outros episódios em que deixaram ela irritada. Tinham que pensar numa alternativa para escapar das palmadas. Limparam a sujeira com um pano e esconderam o pano atrás do botijão de gás. Não é uma ideia muito esperta, porem vindo de duas crianças de 3 e 4 anos, não podia se esperar muito. Os dois garotos fizeram um pacto para não falar o que havia ocorrido e assim a vida seguiu seu rumo.   
    Zilda chegou em casa, logo foi abrir a geladeira. Vendo que não havia nada foi ao mercado comprar comida para ela e seus filhos. Sempre disposta a tudo para cuidar dos seus filhos. Fez a comida e sentaram no chão da pequena casa para comer. Não havia muito assunto. Zilda estava introspectiva como de costume. Pensando no que faria da sua vida para poder dar um futuro aos dois meninos. Mas João e Gustavo pensavam no que poderia ocorrer, casa sua mãe descobrisse o pano sujo. Depois foram dormir e a noite foi tranquila mas não demonstrava o que estava por vir na vida daqueles dois meninos.
    Domingo, amanheceu e logo cedo, Zilda já estava de pé fazendo comida e arrumando a casa. Mas um cheiro estranho começava a incomodar. Deu uma olhada na geladeira para ver havia algo podre mas como na noite anterior a geladeira continuava vazia. Deu uma rápida olhada na casa da casa para ver se os meninos haviam esquecido um prato pela casa, mas não encontrou nada. Então deixou para lá e o dia seguiu até o anoitecer.
    Eram oito horas da noite, o cheiro ficou muito mais forte, insuportável. Tomou conta da pequena casa daquela família. Aí então, pensou que podia ser um bicho morto em torno da casa. Ela acendeu uma vela e foi procurar ao redor da casa. Mas novamente não encontrou nada. E os dois pobre meninos estavam tremendo de medo que Zilda descobrisse o que havia acontecido. Já estavam se preparando para o pior.
    Zilda impaciente, já havia perguntado aos seus filhos se sabiam o que estava acontecendo, tinha vasculhado a casa inteira e nada. Então começou a mover moveis, geladeira, fogão até chegar no botijão onde encontrou o pano sujo. Zilda começou a ficar vermelha de tanta raiva pois já sabia o que havia ocorrido. Quando olhou para os meninos. Os dois simultaneamente começaram a chorar tão alto  que dava para ouvir na casa dos vizinho. Mas de nada adiantou, eles nunca se importaram mesmo. Como se estivesse possuída foi buscar um cinto pendurado atrás da geladeira. Bateu tanto nos dois filhos que ficaram com as costas, coxas e  mão marcadas. Ela nunca havia batido tanto naqueles meninos. Não sabia se se sentia bem por ter descarregado o seu estresse acumulado do dia dia ou de sentia remorso pelo que havia feito com suas crianças. E sabia que as marcas deixadas naquele dia iriam demorar a sumir.